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2019

Audiência P.R. - Carlos Silva: O que é que o Governo quer? Quer manter o clima da conflitualidade social?

2019-01-31
Audiência P.R. - Carlos Silva: O que é que o Governo quer? Quer manter o clima da conflitualidade social?

Uma delegação da UGT foi recebida hoje pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e levou os temas da Administração Pública, as vicissitudes do diálogo social, o Brexit e a CGD para debater com o Chefe de Estado.

No final da reunião, o Secretário-geral da UGT, Carlos Silva, apontou o dedo do Governo "colocar os sindicatos entre a espada e a parede" e defendeu que os "trabalhadores não podem ver os seus direitos em causa". Em declarações aos jornalistas, Carlos Silva garantiu que "se o Governo não se sentar à mesa das negociações com os sindicatos, levará com desgaste até às eleições" e considerou a declaração desta quarta-feira da ministra Marta Temido, em entrevista à RTP3, "inaceitável".

"É talvez um desabafo irresponsável da ministra da Saúde quando vem afirmar que a greve poderá ser um abuso quando ela é um preceito e um princípio constitucional e um direito dos sindicatos", afirmou Carlos Silva dizendo que isso acontecia em ditadura. "É uma forma que os sindicatos têm de defender os seus trabalhadores", acrescentou.

“Não é por causa da greve cirúrgica dos enfermeiros que há centenas de camas de doentes nos corredores dos hospitais”, acrescentou Carlos Silva, rejeitando que o ónus da responsabilidade de qualquer greve recaia sobre os trabalhadores ou os sindicatos. “Lamento muito que atinja os mais frágeis, mas a culpa não é dos sindicatos nem dos trabalhadores. A culpa é de quem é um mau patrão. Se é preciso uma greve cirúrgica para dizer ao Governo que nós não abdicamos de lutar, então que se faça a greve”, afirmou.

Além das greves dos enfermeiros, Carlos Silva deu como exemplo o impasse nas negociações dos professores e adiantou que o Presidente da República está "preocupado com a conflitualidade social". "O que é que o Governo quer? Quer manter o clima da conflitualidade social? Quer negociar com os coletes amarelos? Com os movimentos do Facebook? Do Twitter? Com os movimentos inorgânicos?", questionou Carlos Silva, assegurando que a UGT está sempre disponível para sentar à mesa das negociações. Só não aceita que lhe digam "é assim que nós queremos ou não há negociação".

No final da audiência com Marcelo Rebelo de Sousa, o secretário-geral da UGT explicou que durante o encontro foram também abordados os temas da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e do Brexit, salientando que "a culpa não pode morrer solteira em relação à CGD" e que "seria bom que os cidadãos britânicos pudessem decidir num novo referendo se querem mesmo sair da UE".

Além do Secretário-geral da UGT constituíram a delegação sindical, a Presidente Lucinda Dâmaso, o Secretário-geral Adjunto, Sérgio Monte, e os Secretários-gerais da FESAP e da FNE, José Abraão e João Dias da Silva, respectivamente.

(Fonte:Sic Noticias)