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Cyberbulling | Um flagelo a combater

2021-02-26
Cyberbulling | Um flagelo a combater

A era das redes sociais teve o condão de dar uma nova dimensão ao bullying e ao discurso de ódio. Os ataques pessoais deixaram de ser feitos no recreio e passaram a estar à distância de um clique. Este é um fenómeno cada vez mais presente e urge começar a combatê-lo numa altura em que a pandemia forçou as pessoas a permanecerem em casa e “ligadas” a toda a hora. O tema esteve em discussão num webinar organizado pela Comissão de Mulheres, no passado dia 18 de Dezembro, na UGT.

 

A sessão de abertura foi feita por Lina Lopes, presidente da Comissão de Mulheres da UGT, que destacou a importância pública destas iniciativas para alertar mentalidades, revelando que também já foi vítima de cyberbullying. “Sempre que temos uma atividade ou apoiamos alguém somos vítimas de bullying. As pessoas dizem-nos coisas impressionantes, esquecem-se que temos filhos, marido e o que ouvimos é grave.”

 

Evolução

Gustavo Cardoso, professor no ISCTE, começou por relembrar que o bullying foi considerado durante muito tempo como uma prática comum na passagem para a adolescência. “Como não era um problema socialmente identificado, esteve fora da nossa atenção.”

No entanto, há algumas décadas para cá começou a lidar-se com o problema, principalmente em ambiente escolar. Segundo o docente, a partir do momento que a sociedade e as instituições passaram a encarar o bullying como um problema, houve uma maior atuação.

“Há suicídios por causa do bullying, marcas que ficam durante o período da adolescência e para o resto da vida”. Antes do surgimento das redes sociais, o bullying manifestava-se nas caixas de comentários dos jornais. Com a chegada das redes sociais houve uma alteração do paradigma de comunicação nas sociedades. “O bullying que acontecia num espaço localizado que era a escola passou a estar presente em todas as horas do dia e em todos os locais a partir da vulgarização dos telemóveis”.

 

Assumir o problema

Assumir que existe um problema é, na opinião de Gustavo Cardoso, a primeira questão no centro do debate. “Para haver soluções têm de existir problemas e alguém tem de assumi-los publicamente. Podem ser os dirigentes sindicais, os dirigentes partidários, mas também podem ser as pessoas que estão no campo do entretenimento”. Porém, este tema acarreta outro tipo de problemas. “Quem decide que um dado tipo de manifestação é condenável e que deve ser alvo de atuação? Quando entramos no campo das liberdades e garantias dos cidadãos a questão torna-se mais sensível. Tem de haver um entendimento alargado”, refere Gustavo Cardoso.

O docente explicou que agora é altura de fazer um debate sério, porque atualmente o cyberbullying está de braço dado com a prática política nas redes sociais. “Provavelmente o primeiro passo será um pacto de não-agressão entre partidos políticos, em que atuem quando houver perfis falsos, utilização de botsfake news, etc. Com a pandemia tudo o que é autêntico e falso passou para o nosso quotidiano. A questão do cyberbullying ganhou outra dimensão com o fenómeno ‘Cristina Ferreira’, que transportou uma questão da esfera pessoal para o espaço publico”, concluiu.

 

Discursos de ódio

Por seu turno, Maria João Marques referiu que foi vítima de cyberbullying muito antes de começar a escrever em jornais. “Era uma blogger que escrevia sobre política e questões sociais. Uma mulher a dizer coisas com ar muito assertivo e ficava tudo louco. A partir do momento em que o Twitter percebeu que eu era feminista, eu dizia bom dia e enlouquecia tudo”, contou.

A economista explicou que o discurso de ódio implica com a liberdade de expressão, sendo este o principal problema. “A questão é que o discurso de ódio não é liberdade de expressão, é retirar a liberdade de expressão aos alvos do discurso de ódio”.

Para Maria João Marques, o discurso de ódio e o cyberbullying são diferentes para mulheres e para minorias, em que o ódio passa por ataques pessoais. “O bullying não é feito à opinião, mas à pessoa.”

 

Desgaste

Maria João Marques deu o exemplo do Reino Unido, em que 18 mulheres não se recandidataram nos respetivos cargos porque estavam fartas do abuso, algo que não acontecia com os seus pares masculinos. “Uma das razões que afastam as mulheres da política é o abuso online.”

O efeito silenciador do bullying online provoca nas pessoas problemas relacionais, problemas de saúde mental, ansiedade, perdas de emprego e rendimentos. Na opinião de Maria João Marques, o problema tem de ser resolvido politicamente com alterações à legislação, questões penais, sugestão de criação de centros de arbitragem e responsabilização das plataformas.

Também Cristina Trony, vice-presidente da Comissão de Mulheres da UGT e membro dos Corpos Gerentes do Mais Sindicato, partilhou as mesmas preocupações, referindo que o cyberbullying é transversal a pessoas e a instituições.

“É importante que este tema seja discutido e que exista legislação que proteja as vítimas deste tipo de violência”.

 

Envolvimento

Cristina Trony também presidiu à sessão de encerramento da conferência, afirmando que este é um tema que tinha de ser trazido à discussão com uma nova abordagem para o interior dos sindicatos. A dirigente referiu a necessidade de envolvimento da classe política para um maior controlo legislativo e também das escolas para a criação de uma cultura cívica junto dos jovens.

Já Lucinda Dâmaso, presidente da UGT, explicou que as redes sociais têm a virtualidade de fazer chegar a mensagem a mais pessoas, reduzindo as distâncias, mas também tem uma vertente perversa que atinge as minorias e as mulheres que normalmente se destacam.

“O cyberbullying está com uma dimensão exponencial e tem de existir uma forma de denúncia e punição dos agressores. A Comissão de Mulheres tem feito um papel no caminho da valorização das mulheres e dará, no futuro, o seu contributo no combate a este fenómeno”, concluiu.

Texto: Pedro Gabriel | Mais Sindicato

Webinar "Cyberbullying | Discurso de Ódio"

2020-12-17
Webinar "Cyberbullying | Discurso de Ódio"

A Comissão de Mulheres da UGT realiza no dia 18 de Dezembro, pelas 14h30, um webinar intitulado “Ciberbullying | Discurso de Ódio”.

Numa altura de pandemia com o recurso cada vez mais frequente às redes sociais e plataformas digitais, é notório o assédio moral provocado pelo fenómeno do cyberbullying virtual. 

Neste sentido e com vista a um debate profundo sobre este tema a Comissão de Mulheres da UGT decidiu convidar o professor do ISCTE, Gustavo Cardoso, e a economista e colunista do jornal “Público”, Maria João Marques.

Não perca esta iniciativa e assista à transmissão em directo no Facebook da UGT

Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres

2020-11-25
Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres

As mulheres que trabalham em casa precisam de proteção extra contra assédio online

As leis contra o assédio no local de trabalho devem ser atualizadas para proteger as mulheres que trabalham em casa contra o abuso online, possibilitado pelas técnicas de vigilância utilizadas pelos empregadores.

Os sindicatos fizeram o apelo numa carta enviada aos ministros nacionais no dia internacional pela eliminação da violência contra mulheres.

As mulheres que trabalham na linha de frente da COVID, particularmente as cuidadoras, operadoras de transportes, vendedoras e de empregadas de limpeza, foram vítimas de mais abusos pessoais durante a crise.

Porém, grande parte do assédio no local de trabalho enfrentado pelas mulheres passou para a Internet durante o confinamento, facilitado por ferramentas intrusivas de monitorização, que estão a ser utilizadas por muitas empresas.

De forma a combater a nova ameaça, os sindicatos estão a solicitar aos países que ratifiquem uma nova Convenção da Organização Internacional do Trabalho que os comprometa a prevenir e enfrentar o assédio e o assédio cibernético. A OIT diz sobre a convenção que:

“A Convenção nº 190 protege contra todas as formas de violência e assédio no mundo laboral. A Convenção baseia-se num conceito amplo de "mundo do trabalho" que tem em consideração o facto de hoje em dia o trabalho nem sempre ocorrer num local de trabalho físico. Por exemplo, cobre violência e assédio ocorridos durante viagens relacionadas com trabalho, os percursos de ida e volta do trabalho, em alojamentos fornecidas pelo empregador ou em meios de comunicações relacionadas com o trabalho, incluindo os que funcionam através das tecnologias de informação e comunicação. ”

Esta Convenção, que entrará em vigor no próximo ano, é a primeira norma laboral internacional a abordar a violência e o assédio no mundo do trabalho. Governos e empregadores membros da OIT concordaram com a Convenção, tendo-se comprometido a melhorar as leis, serviços e procedimentos de combate à violência e ao assédio.

Notas:

De acordo com a Agência dos Direitos Fundamentais da UE:

  • 16% das mulheres na UE afirmaram que a violência mais grave perpetrada por um não parceiro ocorreu no trabalho
  • 11% das mulheres na UE sofreram violência sexual e / ou física por parte de alguém no trabalho

https://fra.europa.eu/en/publications-and-resources/data-and-maps/survey-data-explorer-violence-against-women-survey  

 

Comissão de Mulheres lança Guia sobre o Cuidador Informal

2020-11-10
Comissão de Mulheres lança Guia sobre o Cuidador Informal

A Comissão de Mulheres lançou durante a conferência online dedicada aos Cuidadores Informais, realizada no dia 09 de Novembro, um guia sobre os direitos e deveres dos cuidadores.

Descarregue o Guia no link abaixo 

Ver link

Nota de pesar pelo falecimento de Maria de Fátima Lopes

2020-08-12
Nota de pesar pelo falecimento de Maria de Fátima Lopes

É com muita consternação que a Comissão de Mulheres da UGT tomou hoje conhecimento do falecimento da Maria de Fátima Lopes.

Fátima Lopes foi membro da Comissão de Mulheres da UGT de 2013 a 2017 em representação do SINTAP e uma grande sindicalista determinada na luta pela Igualdade entre Mulheres e Homens. 

Foi um privilégio e sobretudo uma aprendizagem trabalhar com Maria de Fátima Lopes. 

À família e a todos os amigos a Comissão de Mulheres da UGT apresenta as mais sentidas condolências.

A sua Memória será para sempre lembrada com muita Saudade.

A Presidente da Comissão de Mulheres da UGT
Lina Lopes